Governo da Paraíba cria a Fundação Parque Tecnológico Horizontes de Inovação

Instituição é vinculada à Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior

Márcia Dementshuk, ASCOM SECTIES-PB

“O Parque surgiu da demanda do ecossistema de João Pessoa por um ambiente que pudesse receber empresas nascentes, de tecnologia”.  Secretário da Secties, Claudio Furtado.

Iniciado no ano de 2021, o Programa Parque Tecnológico Horizontes de Inovação (PTHI) foi estabelecido com a finalidade de impulsionar o desenvolvimento e a implementação de tecnologias inovadoras no estado da Paraíba. Atualmente, o programa evoluiu para se tornar uma Fundação, conforme estabelecido pela Lei Complementar Nº 188, que institui a Fundação Parque Tecnológico Horizontes da Inovação (FPTHI), aprovada na Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba e sancionada na última semana pelo Governador João Azevêdo. É uma fundação pública, com personalidade jurídica de direito privado, dotada de autonomias, vinculada à Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior (Secties). A sede física será no antigo prédio que anteriormente abrigava o Colégio Nossa Senhora das Neves, situado no Centro Histórico da capital paraibana. O local está em reforma e adaptação.

Para o secretário de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior, Claudio Furtado, a criação da FPTHI é fruto do avanço em inovação na Paraíba. “O Parque surgiu da demanda do ecossistema de João Pessoa por um ambiente que pudesse receber empresas nascentes, de tecnologia. Há um parque tecnológico em Campina Grande, um dos mais antigos do Brasil, ou seja, um ecossistema já organizado. Mas não havia na cidade de João Pessoa, nem no entorno ou no resto do Estado, um empreendimento que pudesse congregar o ecossistema de inovação do Estado.”

“Já tendo bem mais empresas de base tecnológica em João Pessoa, esse clamor, vamos dizer assim, foi ouvido, – continua o Secretário. Então, realizamos a inclusão do Parque, o PTHI no Plano de Governo de João Azevêdo. Depois de vários estudos, foi escolhido pelo governador o centro histórico de João Pessoa para estabelecer a sede. Houve uma concretização disso a partir da apropriação do antigo Colégio Nossa Senhora das Neves, que hoje está em reforma.”

Os estudos destinados a estabelecer o arranjo jurídico mais adequado foram iniciados imediatamente. Anteriormente a isso, os primórdios deste projeto estão registrados na lei que instituiu a Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior, momento em que a Executiva de Ciência e Tecnologia foi desmembrada da Educação, em janeiro deste ano. Trata-se de um processo que vem se consolidando progressivamente.

A tecnologia e a inovação, no entanto, já permitem um percurso exitoso para as atividades realizadas pelo Programa PTHI. A fase inicial de concepção desse empreendimento é administrada por meio da Secties, não só o projeto geral como também efetivando processos de incubação. Além da participação em eventos dentro e fora da Paraíba, a publicação de editais pelo governo do Estado já permite o acolhimento, a pré-incubação e a incubação de projetos empresariais inovadores (as startups) e a aceleração de empresas que, também com características inovadoras, buscam a inserção no mercado.

Até agora aproximadamente 30 startups foram acolhidas em processos de pré-incubação e aceleração, e 14 destas concluíram os respectivos ciclos, foram graduadas e já se inserem no mercado. “Começamos a entender como modelar nosso negócio, como entender sua viabilidade. O Parque Horizontes de Inovação realmente foi um grande parceiro nosso, no papel de auxiliar com esse apoio e de uma forma contínua”, declarou Laís Catarine – COO da Startup @weguidetour.

Para 2024 está prevista a conclusão do terceiro ciclo e a abertura do quarto ciclo de incubação, no segundo semestre, com mais 26 empreendimentos oriundos do edital Celso Furtado, da Hackathon Imagine The Future e de um próximo edital de incubação a ser publicado brevemente.

É um empreendimento destinado a impulsionar outros empreendimentos, construir a cultura de inovação no estado da Paraíba. Estes e outros traços formavam desenhos iniciais na mente do Secretário Claudio Furtado, da Secties, conforme seu relato:

“Com a Lei aprovada finalizaremos o estatuto, o qual definirá as normas de funcionamento do PTHI. A lei é uma questão administrativa”, explica Furtado. Conforme ele menciona, o Parque está inserido em um conjunto de iniciativas promovidas pelo Governo do Estado e pela Prefeitura de João Pessoa com o objetivo de revitalizar o Centro Histórico: “A decisão sobre a localização do Parque esteve, desde o início, alinhada a esse propósito. A ideia de introduzir no centro da cidade um equipamento de tal magnitude seria um elemento crucial no processo de revitalização e requalificação do Centro Histórico”, salienta o secretário. Tal medida incentivará a instalação de empresas, incrementará o fluxo de pessoas e fomentará a necessidade de estabelecimento de residências, culminando na renovação das estruturas do Centro.

A expectativa da criação do Parque Tecnológico Horizontes de Inovação está sendo alcançada. Furtado finaliza considerando “um grande acerto e o cumprimento de uma promessa feita: dar oportunidade a pessoas formadas, aos acadêmicos, que possam se envolver no empreendedorismo. É a ciência e a tecnologia contribuindo para o desenvolvimento do Estado da Paraíba com qualificação, ou seja, um PIB qualificado”.

PTHI promoverá transformação na estrutura produtiva da PB

Ao mencionar um “PIB qualificado”, o Secretário Claudio Furtado se refere ao aumento da renda per capta do estado com base em uma transformação da estrutura produtiva da Paraíba, de forma que ela seja capaz de pagar melhores salários.

A PB teve um PIB per capta de R$ 19.082, em 2021 – o paraibano, em média, ganha 1.590,00 por mês (Seplag/PB/2023/IBGE). No Estado de São Paulo o salário médio por pessoa, no mesmo ano, foi de R$ 4.858 (IBGE). Dadas as diferenças para essa comparação, os dois estados se destacam na área de serviços com relação ao PIB. Mas na PB o valor equivale a 80% do PIB, enquanto que em SP, o percentual varia entre os 30%.

Segundo os economistas, o desafio é a qualidade dos empregos, os salários baixos equivalem a atividades de baixo valor agregado. Essa característica é forte na economia paraibana. Por outro lado, São Paulo, se fosse um país, estaria entre 21ª economia do mundo, possui forte densidade industrial e tecnologia agrícola. Em dados mais recentes, os 100 milhões de brasileiros ganham em média R$ 2.900,00 por mês (PNAD 2023/IBGE).

A coordenadora do Programa Parque Tecnológico Horizontes de Inovação, Francilene Procópio, analisa o papel do PTHI através dessa perspectiva. “O Parque será uma alavanca para a evolução da Paraíba, puxado pela política pública governamental, que é fundamental.  Está inserido como impulsionador para as empresas a repensarem a sua atuação. Não importa o tamanho da nossa indústria, o tamanho das empresas ou grau de desatualização delas, é importante que nós tenhamos uma oportunidade de evoluir.”

Francilene Procópio destaca um segundo ponto citando a procura de cidades com boa qualidade de vida e um custo mais baixo pelos “nômades digitais”, aquelas pessoas que escolhem locais para viver e prestam serviços de forma remota através das plataformas. “Os municípios paraibanos com mais de 100 mil habitantes atraem essas pessoas. Dois elementos são atrativos para que essas cidades sejam escolhidas: a remuneração abaixo da média do mercado e a presença de banda larga. Então, eu vejo nisso oportunidades importantes para João Pessoa e cidades de porte médio que são nucleadoras de mudanças e transformações no estado”.

Além desses pontos, Procópio cita a perenização dos investimentos em C,T&I como fundamental: “Particularmente o Governo do Estado está comparecendo e mantendo de forma contínua investimentos nas áreas de ciências, tecnologia e inovação, olhando não apenas para o apoio à Universidade Estadual, mas também aos programas de fomento à inovação e ao empreendedorismo inovador no estado.

A Paraíba aparece no relatório Indicadores Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação 2022, do MCTI, como o 3º estado no ranking nacional cujo tesouro público mais investiu em Ciência (o 1º é SP e o 2º é o PR). Nessa esfera, a institucionalização da Fundação Parque Tecnológico Horizontes de Inovação (FPTHI) sinaliza a integração da Paraíba à tendência global da indústria 4.0.

“Podemos dizer que nos próximos 10 anos vamos esperar maior presença de empresas inovadoras contribuindo para o PIB do Estado, para um aumento significativo no valor do salário médio pago, sobretudo àquelas ocupações que estão atuando nessas cadeias baseadas em conhecimento. E mais do que isso, a transformação das regiões. Isso vale para todo estado, não apenas para a capital, mas para as cidades nucleadoras, sobretudo aquelas onde a gente tem a presença de instituições científicas e tecnológicas”, finaliza Procópio.

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